O governo do Estado de São Paulo considera estratégico ampliar as exportações como forma de sair da crise e gerar empregos. Também reconhece que não basta procurar novos mercados somente quando a demanda interna está baixa, mas que é preciso formar parcerias e desenvolver relações permanentes. Para o governo, o Brasil exporta pouco em relação ao que produz.

Em entrevista ao Sem Fronteiras, o presidente da Investe SP, Juan Quirós, relacionou entre as ações do Estado o incentivo à cultura exportadora no meio empresarial paulista e a ajuda para as empresas encontrarem mercados no exterior para seus produtos e serviços.

A Investe São Paulo – Agência Paulista de Promoção de Investimentos e Competitividade, é a porta de entrada das empresas que pretendem se instalar no Estado ou expandir seus empreendimentos. Fornece, gratuitamente, informações estratégicas que ajudam os investidores a encontrar os melhores locais para seus negócios, com assessoria ambiental, tributária e de infraestrutura, facilitando o relacionamento das empresas com instituições governamentais e concessionárias de serviços públicos.

Sem Fronteiras – Poderia comentar o comportamento do volume de exportações de São Paulo, nos últimos anos?

Juan Quirós – São Paulo lidera o ranking de exportações do Brasil por Estado. Em 2015, o Estado respondeu por 24% das exportações do País. Nos últimos dez anos, o volume de exportações anuais de São Paulo esteve acima de US$ 40 bilhões em todos os anos, atingindo um máximo de US$ 60 bilhões em 2011. Dentre os principais produtos da pauta de exportações de São Paulo, podemos destacar veículos automotores, máquinas e equipamentos e aeronaves.   

Qual a projeção para a balança comercial do Estado em 2016?

Nos primeiros cinco meses do ano, o Estado de São Paulo teve um déficit na balança comercial de US$ 2,4 bilhões, tendo importado US$ 20,3 bilhões e exportado US$ 17,9 bilhões. Para os próximos meses, esperamos que as exportações possam ser estimuladas de forma que o Estado encerre o ano com um superávit comercial.

Quais são os principais programas/ações em andamento e a estimativa de negócios a partir dessas iniciativas?

As ações que criamos para incentivar as exportações estão debaixo do guarda-chuva do SP Export. Coordenado pela Investe São Paulo e criado pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação, o programa tem o objetivo de aumentar o volume de exportações de São Paulo, incentivar a cultura exportadora no meio empresarial paulista e ajudar as empresas do Estado a encontrar mercados estrangeiros para seus produtos e serviços. A iniciativa tem apoio da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), como parte do Plano Nacional de Cultura Exportadora (PNCE), por meio de convênio. Estão incluídos no programa missões de empresas brasileiras para prospecção de mercados internacionais, apoio à vinda de potenciais compradores e exportadores estrangeiros, seminários de capacitação e atendimento gratuito por meio do Projeto Extensão Industrial Exportadora (Peiex), da Apex, e do Poupatempo do Exportador, iniciativa itinerante que leva serviços e informações de diversas instituições distintas às principais regiões metropolitanas do Estado.

Como manter o ritmo das exportações em períodos com redução de crise no mercado interno, eliminando a prática de que o País somente exporta quando o consumo interno diminui?

Acreditamos que é preciso incentivar a cultura exportadora no Estado, mostrando ao empreendedor que o mercado doméstico não deve ser o destino exclusivo dos serviços e produtos de qualquer tipo de empreendimento. Afinal, em um mercado globalizado, a competição mesmo interna com produtos importados é acirrada. É preciso que o brasileiro perceba que o mais importante não é detectar o que os mercados estrangeiros têm o hábito de consumir, mas o que eles levam para casa quando compram no Brasil – e só o brasileiro produz. É preciso que os empreendedores paulistas repensem suas estratégias para que a internacionalização faça parte do negócio de forma natural, inovadora e lucrativa, e não como meta inalcançável. Vamos aproveitar o potencial que a “marca Brasil” tem no exterior.

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