Fórum debate oportunidades com mercado árabe

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Com mais de 385 milhões de consumidores potenciais, o mercado árabe também pode ser considerado a melhor porta de entrada para a África, Ásia e Europa mediterrânea, afirmou o presidente da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira (CCAB), Marcelo Nabih Sallum, durante a abertura do Fórum Econômico Brasil-Países Árabes, promovido no início do mês, pela CCAB, em São Paulo.

Nos últimos dez anos, a corrente de comércio entre o Brasil e os 22 países que formam a Liga dos Estados Árabes aumentou em 83%, tornando-se o bloco árabe o quarto principal destino das exportações brasileiras, superado apenas por China, Estados Unidos e Argentina.

Para Sallum, os números positivos estão fortemente relacionados à presença permanente em feiras, missões, eventos e rodadas de negócios, que têm proporcionado melhor conhecimento dos produtos nacionais.

Entre os mercados que despontam para negócios, o Egito ganhou atenção no Fórum, que contou com a presença da vice-ministra de Investimentos do Governo do Egito e vice-presidente do Gafi (Autoridade Geral de Investimentos e Zonas Francas), Mona Ahmed Zobaa. A representante do governo anunciou que importantes medidas têm sido adotadas para desenvolver a economia do país em todos os setores.

Projetos de investimentos são colocados em prática, sem exclusão de países ou regiões, afirmou Mona ao lembrar que, nos últimos dois anos, tem sido crescente o número de empresas no país, com a criação, em média, de mil novas organizações por mês.

No foco do governo egípcio estão ações ligadas a energias renováveis, financiamentos de setores, melhora do ambiente jurídico, projetos em rodovias e desenvolvimento do turismo.

No campo da infraestrutura, Mona ressaltou o projeto para o Canal de Suez, que liga o Mar Vermelho ao Mar Mediterrâneo, com o qual se pretende o desenvolvimento logístico, industrial e marítimo para beneficiar a região do Oriente Médio.

As oportunidades do Brasil com o Egito também podem ser ampliadas pela efetivação do Acordo de Livre Comércio entre Mercosul e Egito, firmado em 2010 e até o momento não internalizado em função da pendência de ratificação pela Argentina. De acordo com o secretário-geral da CCAB, Michel Alaby, o país vizinho já sinalizou que dará seguimento aos trâmites e até o final de novembro o acordo deverá ser aprovado.

No evento, também foram debatidas as incertezas no comércio mundial, derivadas tanto de períodos aprofundados de crises como de muitas regiões em conflito, fatores tidos como os principais desafios a serem enfrentados pelos governantes.

Para a economista Zeina Latif, neste momento difícil pelo qual passa o comércio mundial, o desafio é buscar o diálogo como forma de aprofundar os laços comerciais. Ela considera que a discussão da paz tem relação direta com o comércio, uma vez que ele passa pela união entre nações.

Ao falar dos novos rumos que o Brasil pode ter com o governo Temer, a economista avalia que não haverá tempo e espaço político para uma agenda ambiciosa e que o essencial é “trazer de volta o País à normalidade”.

Zeina diz ser arriscado falar sobre câmbio, mas que em função da posição favorável da economia norte-americana em relação ao mundo, acredita que o dólar vai continuar se fortalecendo, ainda que de forma lenta, e não vê motivos, inclusive de ordem interna, para o real sofrer fortes oscilações. “Deve continuar estável, com viés de alta”, disse ao lembrar, ainda, que o resultado das eleições nos Estados Unidos também é aguardado para novas definições.


(Edição: Andréa Campos)

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